Realidade ou ficção?

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Realidade ou ficção?

Uma das perguntas que mais recebi durante as entrevistas para divulgação de Beije-me em Barcelona foi: “é tudo verdade?”

O pessoal da Sociedade Literária da Contrata da Coruja foi mais específico, e mandou: “O Isaque e o Fabio são a mesma pessoa ou tem uma pitada de fantasia no meio desse romance baseado em fatos reais?” Para eles, eu respondi: “Isaque e Fabio são praticamente a mesma pessoa. As principais diferenças do livro para a vida real estão nos personagens de apoio, que eu utilizei para encaminhar a história para o caminho que eu queria.”

Em seguida, veio mais uma pergunta complicada: “Você enfrentou alguma dificuldade ou receio neste processo de contar para o público uma história ‘pessoal’?” E, como disse para eles, eu tive algum receio quando comecei a entrar na ficção, que acontece muito com os personagens secundários da história. Foi inclusive nessa hora que decidi que trocaria os nomes. Além de proteger meus amigos, acabei fazendo com que a história não fosse só minha, mas que pudesse ser de todos, de qualquer um.

Quando escrevi, na abertura do livro, que muitos dos diálogos do livro realmente aconteceram, me referia às conversas entre Isaque e Luisa, os dois personagens principais da trama, que marcam o romance. As demais conversas e acontecimentos, são uma mistura de experiências, pessoas e conversas que ajudaram a moldar o pano de fundo de Beije-me em Barcelona. Diferentes experiências ruins com ex-namoradas, minhas ou não, por exemplo, são reunidas em Ana, assim como loucas aventuras em viagens pelo exterior, ajudaram a formar os companheiros de Isaque: Rebeca, Nina e Ulisses.

Aparentemente, há um nome para esse tipo de literatura: autoficção. E aparentemente isso é cada vez mais comum hoje em dia: histórias em que o personagem principal se assemelha ao próprio autor, mas a história em si é ficcional. Beije-me em Barcelona, por fim, se encaixa nesse modelo, preocupando-se com o realismo na relação entre o autor e sua atual esposa, e utilizando a ficção para criar uma narrativa atraente e envolvente do início ao fim.

 

 

Fabio
Fabio
Fabio Paiva Reis é historiador, doutor pela Universidade do Minho, em Portugal. Natural de Vitória, Espírito Santo, voltou para o Brasil em meados de 2013, quando começou a se dedicar a projetos pessoais. Escreveu “Beije-me em Barcelona”, seu primeiro romance, e foi premiado em um Edital do Funcultura 2016, da Secult-ES. Fotógrafo amador e nerd assumido, Fabio é casado com Thais, com quem tem duas lindas gatas, Jade e Mimi.

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