Conheça Kyanja Lee, a revisora que deixou meu livro ainda melhor.
28/04/2017
As 10 categorias para a sua história – Como escrever seu livro! #2
06/05/2017
Mostrar todos

Clipping (UFMG) – A capitania do Espírito Santo sob a égide dos Filipes: escravidão, comércio de escravos e dinâmicas de mestiçagens (1580-1640)

Citação em tese de doutorado da pesquisadora Juliana Sabino Simonato, defendida da UFMG.

Trechos:

Não posso deixar de agradecer a Fábio Paiva Reis, que conheci durante o doutoramento, mas que muito me auxiliou ao enviar fontes de pesquisa, ler meus textos e discutir comigo um pouco de história colonial do Espírito Santo.

(…)

Posteriormente, [Felipe Guillen] desempenhou a função de provedor da Fazenda em Porto Seguro. Sobre seus esforços, na organização de um roteiro para a Serra das Esmeraldas, o historiador registrou:

De acordo com a carta190 a Serra Resplandecente se encontrava próxima a um grande rio, segundo relato de alguns nativos. Além disso, curiosamente, ela ficaria em latitude semelhante à de Potosi, onde as riquezas minerais já haviam sido encontradas. Guillén não só relatou o caso ao Governador geral , mas também, como nada desejava mais do que gastar a vida em serviço de Deus e Sua Alteza se prontificou a ir ao sertão encontrar pessoalmente o local, tomando o cuidado de preparar um roteiro de ida e vinda. Tal entrada não foi realizada, mas é interessante notar a disposição do castelhano a serviço da Coroa portuguesa em fazer a viagem (Grifo nosso) (REIS, 2011, p. 26).

(…)

Nessa mesma vertente da aplicação das práticas governativas da monarquia portuguesa, identificamos outro documento210, que nos reporta ao que Paiva (2013, p. 265-266) denomina de discursos da tradição paulista. O português Marcos de Azeredo, foi responsável por disseminar, como assevera Reis (2011, p. 47), o mito da existência da Serra das Esmeraldas, recebendo pelos “bons serviços” prestados uma tença211. Segundo o historiador,

Não se sabe como e onde morreu (supõe-se que entre 1618 e 19, na prisão), mas declara-se, em documento de 1636, que não voltou a encontrar a Serra. Seu roteiro, porém, foi seguido por diversos sertanistas, inclusive o próprio Fernão Dias que, em sua última expedição, disse em carta ter encontrado algumas ferramentas, atribuindo-as a Marcos de Azeredo (REIS, 2011, p. 48).

(…)

As indicações historiográficas demonstram que ao fim e ao cabo, as minas de ouro não foram encontradas, ainda que algumas pedras, consideradas valiosas, tenham sido localizadas. Segundo Reis (2011):

A Serra foi, de fato, uma das lendas mais extraordinárias e duradouras do período colonial brasileiro, mesclando tradições indígenas e europeias, com reflexos na interiorização da colonização, estabelecimento de contato com tribos indígenas, aberturas de rotas pelo sertão e aproximação de súditos da colônia com a Coroa. O desejo pelo fantástico moveu as expedições sertanistas por séculos, mas nunca seria concretizado (REIS, 2011, p. 125).

(…)

GOMES, Antônio Carlos Sant Ana & REIS, Fábio Paiva. Cartografia Histórica. Estudos Capixabas. Vitória: IHGES, 2013.

REIS, Fábio Paiva. A Serra das Esmeraldas: Cartografia, imaginário e conflitos territoriais na Capitania do Espírito. Dissertação de Mestrado. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2011.

 

Fabio
Fabio
Eu sou criador de conteúdo, curioso sobre tudo e especialista em pesquisar no Google. Sou um historiador, um professor com doutorado e anos de experiência na criação de conteúdo para as áreas acadêmicas e de marketing, incluindo livros, artigos para web e posts em mídias sociais. Eu gosto de fazer as coisas acontecerem e de liderar pequenas equipes por influência para alcançar grande sucesso. Eu criei o projeto Spirito Sancto, que torna a História mais acessível, e uma editora para autores independentes. Eu também sou escritor, com um romance premiado chamado Beije-me em Barcelona e vários livros de História.

Deixe um comentário